Pegadinha!

Eu fui uma criança que brincou muito, eu vivia na rua com os meus amiguinhos (gangue), aprontávamos todas, desde a montagem de uma granja, os galhos das árvores eram as galinhas, os menores eram filhotes, médios galinhas e grandes galos; tirávamos folhinhas por folhinha dizendo que eram as penas. Sempre saia briga pra ver quem eram os donos da granja e quem seriam os fregueses por que a parte mais divertida era “despenar” os galhos. Como cresci numa rua sem saída tínhamos muita liberdade e os tempos eram outros, vivíamos soltos pelas redondezas.
Num dia de tédio todas as crianças sentadas na calçada, alguém teve a idéia de pregar peças em que passava na rua principal, onde passava muitas pessoas e carros.
A idéia foi à seguinte: Pegamos uma meia preta, enchemos de areia e amarramos com um fio de nylon grande , nos escondemos num quartinho onde ficava a caixa de luz da casa de uma das crianças e colocamos a meia com areia no meio da rua, e conforme alguém passasse puxávamos a meia devagarzinho, assim a pessoa ia se assustar e sairia correndo de medo, pensando que aquilo realmente era uma cobra.  A idéia só deu certo na nossa cabeça, ninguém que passava acreditava que aquilo era uma cobra, mas nossa! Como nos divertimos, ríamos sem parar, nos achamos os reis da pegadinha, o melhor era quando alguém passava e nos via e pra entrar na brincadeira fingia se assustar com a “cobra”, a barriga até doía de tanta risada que demos , quando alguém se “assustava” saiamos do quartinho e fazíamos uma roda em volta da pessoa rindo dela dizendo que ela havia caído na nossa pegadinha, tinha até uma musiquinha: “caiu, caiu, caiu na pegadinha HÁ-HÁ-HÁ-HÁ”   
Ser criança naquela época era tão divertido.


No intervalo

Sábado na faculdade durante o segundo intervalo entre aulas, surge o papo sobre assalto, polícia etc., eu mais uma vez relato o drama que passei na delegacia quando chega um colega de classe e fala:
– Isso que você passou não é nada, e eu que tive que passar por pastor!

Coro:
– Pastor? Como assim? Conta essa história direito rapá!

– Isso mesmo que vocês ouviram, há alguns anos tive meu carro roubado e quando estava lá na delegacia o delegado veio com um papinho mole de: ”Poxa cara, os presos tão enchendo o saco pra falar com um pastou o dia todo, e você com esses cabelinhos cacheados tem mó cara de pastor, quebra essa pra mim?”, eu como já quase me tornei padre...

– Como é que é? Você quase se tornou padre, essa história está ficando cada vez melhor.

– Sim, sim, mas essa fase da minha vida conto outro dia. Pois bem estava eu lá na delegacia com uma bíblia na mão indo em direção a cela dos presos já preparando o sermão, cheguei lá mais ouvi do que falei acho que era isso que eles queriam, bobiei quando mandei um preso rezar 3 aves Maria “ô senhô, mas pastou mandar rezar? Ave Maria ainda? Eu logo inventei que havia me confundindo por quê na faculdade de teologia quase viro padre.

– E o seu carro?

– Bom o meu carro eu não achei, mas pelo menos afaguei os corações daqueles pobres pecadores

– HAHAHAHAHAHA, vamos pra sala pessoal.




 

 

Clicky Web Analytics